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Aleksandar Mandic, um dos fundadores da web brasileira, avalia o atual mercado do país

Aleksandar Mandic, um dos fundadores da web brasileira, avalia o atual mercado do país

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Aleksandar Mandic, um dos fundadores da Internet brasileira, falou ao Baguete sobre o mercado brasileiro de Internet, as oportunidades bem e mal aproveitadas deste nicho, e avalia o país em relação ao resto do mundo.

Link original: http://www.baguete.com.br/entrevista.php?id=205 

 

Quais as próximas tendências do mercado de Internet?

Aleksandar Mandic: Mobilidade e convergência. Tudo virá para a mão. Ninguém mais precisará carregar gigas e teras de dados em notebooks pesados, pois as redes funcionarão como o disco rígido do usuário, armazenando os dados para que ele os acesse em plataformas móveis. O hardware vai diminuir cada vez mais e a web agregará cada vez mais serviços, funções. Os computadores também ficarão menores, pois o foco não estará em grandes processadores, mas sim em memória.

Como o senhor avalia o aproveitamento brasileiro dos negócios na Internet?

Aleksandar Mandic: No Brasil, os negócios na web aparecem. Você pode comprar passagens de avião, pagar contas, conferir a previsão do tempo, entre outras coisas, tudo online. Porém, o desenvolvimento maior do país não se dá na área de Internet, mas na de tecnologia em si, como em automação bancária, em urnas eletrônicas. O que se pode dizer é que nosso país não investe muito em tecnologia, e isso porque não pode: somos uma pequena China, com mão-de-obra abundante, mas não especializada. É muita população, muita gente para alimentar, educar, dar saúde e habitação. Isso é prioridade do governo, então fica difícil destinar muitos aportes à TI.

Como o senhor avalia a web brasileira em relação à Europa e Estados Unidos?

Aleksandar Mandic: O Brasil ocupa bem a web, aproveita bem suas oportunidades. Porém, falta cultura neste segmento, especialmente no e-commerce. Temos vários sites de venda, mas é preciso melhorar os preços, que ainda são altos; as condições de segurança dos portais, o atendimento e as vitrines de produtos e serviços.

Quais serão os principais desafios da Internet brasileira nos próximos anos?

Aleksandar Mandic: Infra-estrutura. Teremos cada vez menos hardware, e com isso precisaremos de mais acesso, mais velocidade. Terá de haver investimentos especialmente na expansão da estrutura de links, até para barateamento dos serviços. Hoje, a Europa já tem 3G disseminado e fala-se em 4G, quando no Brasil o primeiro ainda nem começou a andar direito. Tudo aqui é muito caro por falta de infra-estrutura, e este é um dos principais desafios a serem vencidos pelo setor de tecnologia do país.

Um estudo da Nemertes Research afirma que o uso corporativo e doméstico da internet pode esgotar a capacidade mundial de infra-estrutura, chegando a uma situação de parada por sobrecarga até 2010. Para evitar isso, seriam necessários investimentos de pelo menos US$ 137 bilhões. O que o senhor acha desta previsão?

Aleksandar Mandic: Acredito em sobrecarga de alguns serviços, com paradas momentâneas, indisponibilidades. Há serviços que, se tiver banda, usaremos. Se não tiver, não usaremos até que torne a ter. Quanto a uma parada total da web, não creio. Até porque nunca vi uma previsão que desse 100% certo.

O Google é uma das empresas da Internet que mais investe na expansão do portfólio de serviços. Esta é a tendência para crescer neste mercado?

Aleksandar Mandic: O Google está no caminho certo: vários serviços, várias possibilidades, presença em vários locais, a empresa se tornando o HD do usuário, que passa a ter cada vez mais serviços disponíveis em uma única plataforma. Porém, para conseguir isso é preciso investir muito em Pesquisa e Desenvolvimento, coisa que o Google faz bem. É um bom exemplo para o mercado.

Sua atuação na Internet fez história. Conte um pouco sobre como começou.

Aleksandar Mandic: Por volta de 1989, um amigo trabalhava no Unibanco-SP. Com ele, dei os primeiros passos do hoje provedor de e-mails Mandic. Nossa BBS ficava embaixo de uma escada do banco e era difícil conseguir linha telefônica, que na época era muito cara. Mas esse sócio tinha know how na tecnologia e indicou um link estrangeiro que passamos a usar, abandonando a linha discada. Em 1998, vendi o Mandic para o Impsat e me tornei sócio-fundador do iG. Em 2002, retomei a marca Mandic, que caminhou para o provedor que é hoje.

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