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HOME > ENTREVISTAS > ROMERO RODRIGUES, DO BUSCAPÉ, FALA SOBRE O MERCADO ONLINE
Romero Rodrigues, presidente do Buscapé e colunista do portal SEMBrasil, fala ao IAB Brasil sobre o mercado, marketing online, mobile marketing e do avanço do comparador de preços na América Latina.

Link original: http://www.iabbrasil.org.br/interna.aspx?id_detalhe=884&origem=0
IAB Brasil: Qual foi a principal dificuldade para a comercialização do serviço de comparação de preços no início da criação do Buscapé?
Romero Rodrigues: Na verdade foram duas grandes dificuldades. A primeira delas foi o conceito do serviço, pois até então não havia nada parecido no Brasil em 1999, ano em que surgiu o Buscapé e, nos EUA, o conhecido shopping.com só entrou no ar cerca de 15 dias depois de nós. Se você ligasse para uma empresa e perguntasse o preço de um determinado produto elas lhe diziam o valor, mas se você perguntasse sobre um segundo e um terceiro produto, as informações já não eram fornecidas. O varejista da época não estava preparado para oferecer comparação de preços e a internet ajudou a quebrar esse paradigma. O meu cliente me via em 1º de junho de 99 como um cliente ruim, que o importunava e não como um parceiro de negócios. Bom, para atrair a clientela para a proposta do Buscapé, no primeiro ano de vida do site, a taxa por clique não era cobrada. Só um ano depois, em 2000, é que demos início à comercialização do site. A segunda dificuldade que enfrentamos foi o volume. Vender clique é como vender clipes: ninguém compra um clipe só. Aos poucos, as empresas, principalmente as pequenas, que não podiam comprar um comercial no horário nobre da tevê Globo com 100 reais, perceberam que com essa quantia poderiam obter resultados significativos com os serviços do Buscapé.
As empresas ainda não acreditavam no futuro da publicidade na internet?
As pessoas tinham medo de ficar refém de um sistema como esse. Um serviço como o Buscapé é meio hollywoodiano. O pequeno varejista consegue na internet o que ele não consegue em outras mídias e o Buscapé procura ser mais um dos canais.
Em sua opinião, quais foram os fatores que impulsionaram o crescimento do Buscapé? Podemos dizer que o site se popularizou com o amadurecimento do comércio eletrônico no país?
Hoje, 65% dos usuários do Buscapé são pessoas que consultam o site, mas realizam as compras nas lojas físicas, isto é, em shoppings, etc. Por outro lado, com o aumento da procura pela pesquisa de preços de serviços e produtos no meio online, as empresas observaram que o acesso fácil à aquisição desses itens através da rede poderia aumentar as vendas e diminuir a dispersão dos clientes com as possibilidades de concorrência no meio físico. É uma troca. É difícil dizer que o site se popularizou com o e-commerce, mas também não posso dizer que não. O que eu acredito é que as empresas se prepararam para atender melhor aos clientes com a inserção do comércio eletrônico e o Buscapé auxiliou em parte esse desenvolvimento, pois se o usuário poderia comparar preços pela web era natural que quisesse essa comodidade e facilidade na hora de executar a compra.
O site também acabou se tornando um "termômetro" dos diversos segmentos do e-commerce no país.
O Buscapé acabou virando uma referência para o varejista, para o consumidor e até para a imprensa, sobre os setores que estão ?esfriando? ou ?esquentando? no comércio brasileiro. Por exemplo, na época do apagão, jornalistas nos procuraram para cruzar dados sobre a procura de lâmpadas. O resultado ajudaria a saber se a crise energética afetou de alguma forma as vendas do produto.
Hoje, quantas empresas são associadas ao site e quantos produtos são ofertados por ano? Quais são os mais procurados?
Em 1999 havia 35 lojas e 30 mil produtos cadastrados no site do Buscapé. Atualmente, são mais de 56 mil empresas que juntas, oferecem mais de 2 milhões de produtos. Dentre os mais procurados, os livros estão em primeiro lugar, seguido por equipamentos fotográficos, materiais de informática, DVD´s e CD´s, sendo que a procura por este último item tem decaído bastante em razão do crescimento da música digital.
O diretor-geral de Informação da e-bit, Pedro Guasti disse que as áreas de informática, eletrônica e fotografia são as que mais apresentam fraudes e golpes contra consumidores. Por quê? Você tem algum dado sobre isso?
Itens como computadores, notebooks e câmeras fotográficas são em geral, produtos caros, de alto valor. O usuário comprador não suspeita apenas pelo preço que a empresa é, na verdade, uma empresa fantasma cujo site é falso e a área para pagamentos online serve apenas para conseguir os dados do cartão de crédito fornecidos pelo comprador. No site do Buscapé esse número é quase que irrelevante, pois com todas as medidas que estamos tomando nos últimos quatro anos é quase impossível uma loja fantasma aparecer nas nossas pesquisas.
Como o Buscapé protege seus consumidores dessas fraudes?
A internet é um meio que abrange além das grandes empresas, pequenos empreendedores ainda desconhecidos pelo público. Certificações como a medalha do e-bit e a Câmera e-bit atestam a idoneidade dessas empresas e asseguram que as pequenas não sejam prejudicadas. Nesses últimos quatro anos temos investido seriamente na tentativa de auxiliar o usuário na hora de procurar um serviço ou produto com a adoção de selos como esses. Toda empresa que se cadastra no site também tem que responder a um questionário detalhado e criterioso. Além do alerta de preços e filtros, o Buscapé disponibiliza uma cartilha de compras seguras e ainda fornece uma lista com indicação das lojas que você não deve comprar.
Certa vez você disse que "o Buscapé não é só um site, mas um grande serviço que não depende apenas da internet". Comente.
A visão que temos do Buscapé é a de um prestador de serviços que tem que atender basicamente a dois lados: o consumidor e as lojas cadastradas. Sob um prisma, a loja tem que vender. Por outro lado, pesquisa de preço é um dos motes de marketing, é um chamariz, mas o serviço vai além disso. O Buscapé tornou-se uma fonte confiável de lojas e produtos e ao longo desses anos temos tentado estar onde o consumidor está, isto é, em outros canais além da internet. Grande parte das 56 mil empresas cadastradas no Buscapé são lojas físicas e que não têm presença online. Para chegar ao cliente/loja de pequeno porte, nós criamos alguns serviços como o Disque Buscapé, o serviço de pesquisa de produtos via SMS e o serviço via Wapp. Também desenvolvemos um serviço que cobra por chamadas telefônicas, ou seja, a cobrança é baseada na performance do cliente que não pode comprar "cliques", mas pode comprar "chamadas recebidas". Com essa visão, o Buscapé não pode ser mais considerado somente um site. Cada vez mais, a empresa vem trilhando para prestar serviços de maneira completa dentro da sua expertise.
A recente aquisição do e-bit pelo Buscapé integrará a operação da empresa na América Latina? Quais são os países que terão prioridade para a ação e por quê?
Sim, integrará. Mas o e-bit permanecerá uma empresa à parte para que seja preservado como ferramenta que atesta a segurança dos produtos e lojas anunciadas no site, proporcionando assim, maior confiabilidade para o Buscapé. Além disso, o e-bit é um serviço que tem relevância para o usuário e para a empresa (quando a empresa tem o selo e-bit já foi constatado que ela tem mais chances de vender), e a medalha do e-bit vem se tornando cada vez mais importante no meio online. Levar uma empresa com essa credibilidade para as operações na América Latina: Argentina, México, Chile e Colômbia - ajudará o Buscapé a crescer em um ambiente em que os serviços de comparação de preços ainda não foram desenvolvidos.
A estratégia se assemelha à empregada quando o Buscapé comprou o Bondfaro em maio de 2006, que culminou na fusão das atividades de ambos para atingir o mercado latino americano?
Na época, ambas as empresas estavam competindo na América Latina, mas a idéia do BondFaro é diferente do Buscapé, que é um site mais horizontal com produtos e serviços. O Bondfaro só mostra produtos vendidos em lojas virtuais.
Há alguma novidade prevista após a integração do e-bit na AL?
Além de entrar em mercados como a Argentina, o Chile, o México e a Colômbia até o final do ano, o Buscapé pretende iniciar operações também no Peru.
Em sua opinião, o brasileiro já incorporou o hábito de consumir através da web ou a segurança ainda é questionada? Por quê?
No geral, não. Dados do e-bit do final de 2006 relatam que existem cerca de 37 milhões de usuários compradores. Há alguns anos era a metade e ainda tem muita gente em potencial para entrar. Entretanto, temos que observar também, não só o crescimento do número de compradores virtuais, mas a freqüência com que esses usuários compram. A freqüência da compra deve aumentar tanto quanto o valor gasto.
Qual é o atual cenário nacional e internacional do mercado de comparação de preços?
O mercado vem crescendo de forma semelhante ao mercado de e-commerce.
Por que?
Porque cada vez mais pessoas estão conhecendo o serviço, assim como cada vez mais usuários de internet começam a realizar pagamentos e compras pela web. Acredito que os próximos anos devam ser muito positivos para o setor de comparação de preços online, principalmente na América Latina que é um mercado carente desse serviço e que não tem concorrentes.
O Buscapé teve alguma história interessante no início da comercialização do serviço de comparação de preços?
Nossa, tivemos várias... Temos um cliente/loja que está conosco desde o início das operações do Buscapé, em meados de 1999. Na ocasião, ele queria que nós tirássemos o nome da empresa da nossa lista de associados, por não conseguir enxergar os benefícios que o serviço oferecia. Além disso, o cliente me via como um cliente ruim, chato. Bom, o fato é que, um ano após a abertura da empresa nós começamos a comercializar o site, isto é, cobrar taxas pelos cliques. O varejista que não queria mais seu nome na nossa lista percebeu o quanto as pessoas o procuravam quando ele estava associado ao site e ligou no dia seguinte e perguntou o motivo pelo qual a empresa dele não estava mais na relação do Buscapé. Foi engraçado...
Qual é a posição do Buscapé sobre o desenvolvimento da publicidade online no país? Muitos apostam no mobile marketing.
Estamos em um ponto de ruptura. O Buscapé também já está apostando no poder da mobilidade do usuário e criou o serviço de pesquisas de preços via SMS. A internet é muito mais barata em relação ao retorno de resultados do que outras mídias como a tevê, o rádio e os jornais. Tenho certeza de que a publicidade online irá crescer muito e num futuro breve, diversos serviços estão fadados a gratuidade, como os classificados. Ninguém mais paga por um classificado na internet e temos sites especializados que proporcionam informações bem mais completas e até com disponibilidade de imagens do produto anunciado. De acordo com a ComScore e o Ibope/NetRatings, o Buscapé foi eleito o melhor site de classificados do Brasil.
Mas o meio de comunicação já conseguiu enxergar o potencial da publicidade online no Brasil?
Boa parte sim, mas ainda falta mais estudo e pesquisas. O IAB vem contribuindo bastante para esse desenvolvimento. O mercado precisa levar às mesas dos mídias, dados que comprovem seus resultados e eficiência qualitativa e quantitativa, mas para isso deve haver mais esforços de ambos os lados, inclusive das empresas anunciantes.
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Comentários
3 pessoa(s) comentaram até agora
alan (anônimo)
25/09/2007 - 15:04
Importante!!
Calil (anônimo)
25/09/2007 - 15:05
Importante!!
Rosélia (anônimo)
03/10/2007 - 12:49
Boa tarde,
Somos uma empresa de eventos e estamos necessitando localizar a pessoa que crioi o site buscapé para contratar para uma palesta.
Nosso telefone( 41-3072-1000 ) Isso é urgente por fvr.
Obrigada
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