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Varejo online é aposta para elevar receita
Fonte: Agência Estado
As vendas por meio da internet devem garantir às principais redes de varejo um crescimento porcentual superior ao das lojas físicas em 2009, apesar dos percalços provocados pela crise internacional. De olho na tendência de crescimento do comércio eletrônico, as redes estabelecidas estão reestruturando suas operações online e novas entram em operação.
Empresas com capital aberto na Bolsa de Valores de São Paulo, como Ponto Frio (Globex) e Extra (do Grupo Pão de Açúcar), além de outras, como Casas Bahia, Wal-Mart, Magazines Luiza e Pernambucanas, tentam avançar sobre a líder absoluta do mercado, a B2W, que reúne os portais de venda Submarino e Americanas.com. Até setembro de 2008, a B2W respondia por mais da metade do faturamento do setor.
Desde então, entraram no mercado eletrônico a rede varejista Wal-Mart, em outubro, e a Casas Bahia, em fevereiro. A título de comparação, nos Estados Unidos, a líder Amazon não tem 10% de market share.
Preços mais atrativos
Os concorrentes estão focando sua expansão no e-commerce em itens como linha branca, eletrodomésticos e eletrônicos. As empresas aproveitam negociações de compra para as lojas físicas para oferecer preços mais atrativos na tentativa de fidelizar clientes na internet. Segundo uma fonte do setor de comércio, a B2W oferece mais de 200 mil itens, enquanto outras lojas têm, em média, entre 5 mil e 10 mil.
Enfrentando uma forte desaceleração nas vendas de suas lojas físicas, as operações online do Ponto Frio ganharam vigor após o processo de reestruturação, encerrado em agosto do ano passado. Entre as mudanças feitas pela nova equipe de executivos estão a alteração no layout do site, a otimização da base de clientes e estratégias segmentadas de marketing. As medidas serão analisadas pela concorrência já que a empresa comunicou, no final de março, a intenção de venda de seu controle.
Segundo o balanço financeiro da Globex, controladora do Ponto Frio, as vendas por meio da internet cresceram 36,8% no quarto trimestre de 2008, atingindo R$ 66 milhões. No ano, a receita bruta chegou a R$ 198 milhões, alta de 19,8% sobre 2007. As vendas em lojas com mais de um ano de funcionamento do Ponto Frio recuaram 4,5% no quarto trimestre. O market share da rede no comércio eletrônico é pouco inferior a 4%.
Já os negócios online do Magazine Luiza alcançaram 13% do total da receita. Em 2008, as vendas por meio da internet da companhia cresceram 56% sobre 2007 e atingiram um faturamento de R$ 411 milhões. O gerente geral de e-commerce do Magazine Luiza, Francisco Donato, destaca que foi desenvolvido um núcleo de compras para colocar no portal os produtos mais procurados, conforme o perfil dos consumidores. Para 2009, a companhia espera aumentar em 50% suas vendas online.
Novatos online
Em fevereiro deste ano, a Casas Bahia, maior rede varejista de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis do País, estreou na internet. A expectativa da rede é de que o faturamento com as operações de comércio eletrônico atinjam cerca de R$ 280 milhões em seu primeiro ano de atividade, o que representaria algo próximo a 2% da receita total. Já para os próximos dez anos a rede quer movimentar 20% deste mercado.
Desde outubro do ano passado, o varejo online conta também com outro representante de peso, o Wal-Mart, maior varejista do mundo. Das grandes redes que atuam no Brasil, falta apenas a entrada do Carrefour, que diz desenvolver estudos para iniciar suas operações de comércio eletrônico. No entanto, a perspectiva do mercado é de que a empresa lance suas operações na internet apenas no próximo ano.
Em resposta ao acirramento do mercado, a B2W anunciou, durante teleconferência sobre o desempenho de 2008, que vai repassar aos clientes os ganhos de eficiência, previstos para ocorrerem em razão da unificação dos centros de distribuição, na forma de preços e promoções. Desde o agravamento da crise, a empresa desacelerou seu ritmo de crescimento. Nos nove primeiros meses do ano passado, a receita líquida teve uma evolução de 36,4% em relação ao mesmo período de 2007, passando a 16,4% na comparação para quarto trimestre.
Segundo a empresa de monitoramento de comércio eletrônico e-bit, o setor deve crescer entre 20% e 25% em 2009, superando pela primeira vez a barreira dos R$ 10 bilhões em faturamento. O diretor-geral do e-bit, Pedro Guasti, ressalta que após a desaceleração das vendas no último trimestre do ano passado, em razão dos efeitos da crise internacional, as vendas retornaram a níveis próximos ao pré-crise.
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